Ditos populares distorcidos e explicados

terça-feira, 12 de maio de 2009

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Há ditos populares, gírias e expressões que falamos por total costume, mas na verdade não sabemos do que se trata, tampouco entendemos seu significado.

CORRIGINDO OS DITOS POPULARES:

• Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão
O correto é: Batatinha quando nasce, espalha ramas pelo chão.
• Cor de burro quando foge.
O correto é: Corro de burro quando foge!
• Quem tem boca vai a Roma.
O correto é: Quem tem boca VAIA Roma.
• É a cara do pai, cuspido e escarrado.
O correto é: É a cara do pai esculpido em Carrara.
(Carrara é um tipo de mármore, extraído da cidade de Carrara/Itália)
• Quem não tem cão, caça com gato.
O correto é: Quem não tem cão, caça como gato. (ou seja, sozinho!)

Explicação de alguns:

NAS COXAS:
As primeiras telhas dos telhados nas Casas aqui no Brasil eram feitas de Argila, que eram moldadas nas coxas dos escravos que vieram da África. Como os escravos variavam de tamanho e porte físico, as telhas ficavam todas desiguais devido as diferentes tipos de coxas. Daí a expressão fazendo nas coxas, ou seja, de qualquer jeito.


VOTO DE MINERVA:
Orestes, filho de Clitemnestra, foi acusado pelo assassinato da mãe. No julgamento, houve empate entre os acusados. Coube à deusa
Minerva o voto decisivo, que foi em favor do réu. Voto de Minerva é, portanto, o voto decisivo.

CASA DA MÃE JOANA:
Na época do Brasil Império, mais especificamente durante a menoridade de Dom Pedro II, os homens que realmente mandavam no país costumavam se encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro, cuja proprietária se chamava Joana. Como esses homens mandavam e desmandavam no país, a frase casa da mãe Joana ficou conhecida como sinônimo de lugar em que ninguém manda.

CONTO DO VIGÁRIO:
Duas igrejas de Ouro Preto receberam uma imagem de santa como presente. Para decidir qual das duas ficaria com a escultura, os vigários contariam com a ajuda de Deus, ou melhor, de um burro. O negócio era o seguinte: colocaram o burro entre as duas paróquias e o animalzinho teria que caminhar até uma delas. A escolhida pelo quadrúpede ficaria com a santa. E foi isso que aconteceu, só que, mais tarde, descobriram que um dos vigários havia treinado o burro.
Desse modo, conto do vigário passou a ser sinônimo de falcatrua e malandragem.

FICAR A VER NAVIOS:
Dom Sebastião, rei de Portugal, havia morrido na batalha de Alcácer-Quibir, mas seu corpo nunca foi encontrado. Por esse motivo, o povo português se recusava a acreditar na morte do monarca. Era comum, as pessoas visitarem o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, para esperar pelo rei. Como ele não voltou, o povo ficava a ver navios.

NÃO ENTENDO PATAVINAS:
Os portugueses encontravam uma enorme dificuldade de entender o que falavam os frades italianos patavinos, originários de Pádua, ou Padova, sendo assim, não entender patavina significa não entender nada.

O CANTO DO CISNE:
Dizia-se que o cisne emitia um belíssimo canto pouco antes de
morrer. A expressão canto do cisne representa as últimas realizações de alguém.

AGORA INÊS É MORTA:
Houve em portugal um rei D. Pedro (bem antes do nosso – sec. XIV) que tinha uma amante-amada (que não era a rainha) mas que ele cobria de atenções. Em uma viagem do rei, seus adversários políticos a mataram por acharem perigosa a relação dos dois. Ao voltar D. Pedro mandou desenterrá-la e coroá-la rainha. Mas aí.... Inês é morta!

SANTINHA DO PAU OCO:
Expressão que se refere à pessoa que se faz de boazinha, mas não é. Nos século XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era “recheado” com preciosidades roubadas e enviado para Portugal.

VÁ SE QUEIXAR AO BISPO:
No tempo do Brasil colônia, por causa da necessidade de povoar as novas terras, a fertilidade na mulher era um predicado fundamental. Em função disso, elas eram autorizadas pela igreja a transar antes do casamento, única maneira de o noivo verificar se elas eram realmente férteis. Ocorre que muitos noivinhos fugiam depois do negócio feito. As mulheres iam queixar-se ao bispo, que mandava homens atrás do fujão.

CHEGAR DE MÃOS ABANANDO:
Os imigrantes, no século passado, deveriam trazer as ferramentas para o trabalho na terra. Aqueles que chegassem sem elas, ou seja, de mãos abanando, davam um indicativo de que não vinham dispostos ao trabalho árduo da terra virgem. Portanto, chagar de mãos abanando é não carregar nada.

A VOZ DO POVO, A VOZ DE DEUS:
As pessoas consultavam o deus Hermes, na cidade grega de Acaia, e faziam uma pergunta ao ouvido do ídolo. Depois o crente cobria a cabeça com um manto e saía à rua. As primeiras palavras que ele ouvisse eram a resposta a sua dúvida. Assim, a voz do povo, a voz de Deus.

CHATO DE GALOCHA:
Infelizmente, os chatos continuam a existir, ao contrário do acessório que deu origem a essa expressão. A galocha era um tipo de calçado de borracha colocado por cima dos sapatos para reforçá-los e protegê-los da chuva e da lama. Por isso, há uma hipótese de que a expressão tenha vindo da habilidade de reforçar o calçado. Ou seja, o chato de galocha seria um chato resistente e insistente, explica Valter Kehdi, professor de Língua Portuguesa e Filologia da Universidade de São Paulo. De acordo com Kehdi, há ainda a expressão chato de botas, calçados também resistentes, o que reafirma a idéia do chato reforçado.

DO ARCO-DA-VELHA:
Coisas do arco-da-velha são coisas inacreditáveis, absurdas. Arco-da-velha é como é chamado o arco-íris em Portugal, e existem muitas lendas sobre suas propriedades mágicas. Uma delas é beber a água de um lugar e devolvê-la em outro - tanto que há quem defenda que “arco-da-velha” venha de arco da bere (”de beber”, em italiano).

O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER:
Significado: Diz-se da pessoa que não quer ver o que está bem na sua frente. Nega-se a ver a verdade.
Histórico: Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D’Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.

ANDAR À TOA:
Significado: Andar sem destino, despreocupado, passando o tempo.
Histórico: Toa é a corda com que uma embarcação remboca a outra. Um navio que está “à toa” é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar. Uma mulher à toa, por exemplo, é aquela que é comandada pelos outros. Jorge Ferreira de Vasconcelos já escrevia, em 1619: Cuidou de levar à toa sua dama.

DA PÁ VIRADA:
Significado: Um sujeito da pá virada pode tanto ser um aventureiro corajoso como um vadio.
Histórico: a origem da palavra é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada para baixo, voltada para o solo, está inútil, abandonada decorrentemente pelo homem vagabundo, irresponsável, parasita. Hoje em dia, o sujeito da “pá virada”, parece-me, tem outro sentido. Ele é O “bom”. O significado das expressões mudam muito no Brasil com o passar do tempo.

DEIXAR DE NHENHENHÉM:
Significado: Conversa interminável em tom de lamúria, irritante, monótona. Resmungo, rezinga.
Histórico: Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer “nhen-nhen-nhen”.

ESTAR DE PAQUETE:
Significado: Situação das mulheres quando estão menstruadas.
Histórico: Paquete, já nos ensina o Aurélio, é um das denominações de navio. A partir de 1810, chegava um paquete mensalmente, no mesmo dia, no Rio de Janeiro. E a bandeira vermelha da Inglaterra tremulava. Daí logo se vulgarizou a expressão sobre o ciclo menstrual das mulheres. Foi até escrita uma “Convenção Sobre o Estabelecimento dos Paquetes”, referindo-se, é claro, aos navios mensais.

PENSANDO NA MORTE DE BEZERRA:
Significado: Estar distante, pensativo, alheio a tudo.
Histórico: Esta é bíblica. Como vocês sabem, o bezerro era adorado pelos hebreus e sacrificados para Deus num altar. Quando Absalão, por não ter mais bezerros, resolveu sacrificar uma bezerra, seu filho menor, que tinha grande carinho pelo animal, se opôs. Em vão. A bezerra foi oferecida aos céus e o garoto passou o resto da vida sentado do lado do altar “pensando na morte da bezerra”. Consta que meses depois veio a falecer.

SEM EIRA NEM BEIRA:
Os telhados de antigamente possuíam eira e beira, detalhes que
conferiam status ao dono do imóvel. Possuir eira e beira era sinal de riqueza e de cultura. Não ter eira nem beira significa que a pessoa é pobre, está sem grana.

Telhado com eira, beira e tribeira

Fontes: ReporterNer e Comunidade do Orkut Eu odeio erros de português!

14 .:

Cahems disse...

nossa muito bom cara,foi uma pesquisa e tanto,merece um comentario??

continue assim

toia disse...

eu ja sabia de alguns. mas adorei o post.

Copyright disse...

Opa, muito obrigado.
Que bom que o post pôde ser útil. :-)

Anônimo disse...

muito legAl, faltou o tah com bicho carpinteiro....que era tah com bicho no corpo inteiro......hehehehe

Anônimo disse...

• É a cara do pai, cuspido e escarrado.
O correto é: É a cara do pai esculpido em Carrara.

- acho que está errada essa interpretação..no popular mesmo,a pessoa quer dizer que é a cara do pai, que o pai cuspiu e escarrou ( o ato de eliminar catarro) que em alguns lugares assume a mesma ideia de "cagado e cuspido". entenderam?

mas seja como for, prefiro a minha interpretação..

as outras tá bem explicadinho, adorei e parabens!

Copyright disse...

Anônimo
Entendi sua explicação sim.
E claro, pode ser possível esta interpretação. Por que não seria? ;-)
Obrigado por comentar.

Flavia disse...

meu
quem tem boca VAIA Roma..
ok mas quem tem boca vai a Roma tambem é um ditado, e muda totalmente o significado, nao tem por que ser corrigido.

Maniac Man disse...

É preciso entender que o post trata sobre ditados que sofreram corrupções com a falta de cultura do vulgo e com o uso continuado. Só está explicando a origem correta de alguns ditados. Quem quiser que continue falando o ditado corrompido. Eu prefiro usar o original.

Maniac Man disse...

E sim, eu já os conhecia. Sou um matusalém. Parabéns pelo post.

Copyright disse...

Maniac Man
Allah te abençoe, viu?
Estava com uma preguiça danada de responder esse último comentário. rs

Maniac Man disse...

Relendo o post decidi falar mais um pouco. Acho q o chato de galocha é aquele que é chato mesmo debaixo de chuva. Tipo tá caindo o maior caldo e o chato comparece só prá desfilar sua chatice. E prá mim alguém da "pá virada" continua sendo alguém imprevisível, meio louco, de quem se espera qquer atitude. E só prá constar: eu já tive em minhas mãos um par de galochas e já vi pessoas usando...rs.

Maniac Man disse...

Obrigado pela benção, mas tu sabe q mora no meu coração. Te considero como fôra meu filho. (Ah me puxei agora, pena que a reforma eliminou esta forma de falar).

Anônimo disse...

vou pegar 10 por isso.
é muito interessante não deixa de ser impotante

Anônimo disse...

É a cara do pai, cuspido e escarrado.
O correto é: É a cara do pai esculpido em Carrara.

Acredito que o correto seria: É ESCULPIDO e ENCARNADO.

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